Eu também te amo.

Posted on 06:54 by Afobório.

- Hei Rose, vamos até o bar do Danado?
- Eu não vou. Minha cabeça está doendo. Sinto-me como se uma manada de elefantes estivesse me atropelado. Acordei com 70 anos, hoje.
Risos.
- Claro, bebeu todo meu uísque ontem à noite.
- Seu idiota. Além de passar a noite fora, enchendo a cara no meio das vadias, ainda acha que tem o direito de me amolar. Corta essa, cara.
- Mas que marmota é essa? Nunca se importou com esse tipo de coisa. Isso é ciúme?
- Sai dessa, eu não sou careta, sabe disso, mas é que você pensa que tudo que existe nessa casa é seu.
- E é mesmo. Esse sempre foi o meu cafofo.
- É, mas, quem comprou aquele uísque fui eu.
- E desde quando você tem grana?
- Tudo bem, eu assumo; roubei a garrafa no mercadinho do Alemão. Mas não importa se comprei ou roubei, o importante é que o uísque era meu.
- Mulheres, em pouco tempo querem mudar tudo aquilo que amaram um dia. O que está havendo contigo?
- Nada, mas é que estou cansando das suas baboseiras.
- Mas o que isso tem a ver com meu convite?
- Eu não preciso de justificativas para xingar um pudim de pinga feito você.
- Ih, isso tem cara de TPM.
- Seu sem noção, esqueceu que estamos devendo para ele. Se aparecermos lá, vai sobrar para a gente.
- Não esquenta. O Danado sabe que eu não pago as contas. E depois, ele gosta do que escrevo. Faço um conto e acertamos tudo sem problemas.
- Eu estou fora. Sinto-me enjoada e cheia de azia. Não é um bom dia para acabarmos dentro da garrafa.
- Nossa, mas que humor. – acendeu um cigarro e saiu batendo a porta.
A mulher correu até a janela e gritou, torcendo os dentes, com cara de quem queria cometer um assassinato:
- Eu também te amo, meu amor!
Depois voltou para o quarto. Sacou uma garrafa de conhaque debaixo da cama e bebeu. Só para tirar o gosto ruim da boca.