A mamãe brigou comigo, nesse dia, ela tem essa mania. Eu havia saído tinha pouco tempo, estava em casa, fazia dois meses, depois de viver seis anos no manicômio. O doutor estava enganado, ele me dizia que em minha casa, eu seria feliz. “Cara, está velho demais para esse tipo de coisa.”. – foi o que minha mãe disse, quando comentei sobre o parque.
Ela, o seu namorado e seus amigos estavam lá em casa, numa dessas festinhas loucas. Eles bebiam, assavam uns espetinhos e usavam um monte de drogas. Então, como a mamãe não me deixou participar da junção, eu liguei a televisão e assisti ao anúncio, foi por isso que tive a idéia de pedir, “Mãe, me leva no parque?”. Era uma chance para que a gente pudesse se divertir juntos; entende? O não dela me deixou triste. O parque estava a poucas quadras de casa.
Ela, o seu namorado e seus amigos estavam lá em casa, numa dessas festinhas loucas. Eles bebiam, assavam uns espetinhos e usavam um monte de drogas. Então, como a mamãe não me deixou participar da junção, eu liguei a televisão e assisti ao anúncio, foi por isso que tive a idéia de pedir, “Mãe, me leva no parque?”. Era uma chance para que a gente pudesse se divertir juntos; entende? O não dela me deixou triste. O parque estava a poucas quadras de casa.
Eu pirei a cabeça e fui até lá, escondido, eu pulei a janela. Eu olhava o maquinista mexer naquela roda gigante, cheia de gente. O cara acionava botões e alavancas. Eu sempre quis andar numa dessas, mas eu nunca tive grana para fazer isso. Eu também nunca tive pais que me levassem num parque. Eu gosto de andar em uma roda gigante, mesmo sem nunca ter experimentado essa sensação. Esse tipo de passeio é bom. Eu também sei que posso ser o melhor maquinista de roda gigante do mundo inteiro, mesmo sem nunca ter comandado uma delas.
Eu também gosto de comer algodão doce, mesmo sem conhecer o gosto de um, tem coisas que a gente sempre gosta, não importa se nunca experimentamos aquilo que gostamos. Eu me sinto bem confuso. Fico feliz olhando a roda gigante, também fico triste e muitas vezes eu sinto muita raiva de quem anda numa ou pilota uma delas. Algumas vezes, eu também odeio a mamãe, o seu namorado e os amigos deles, eu detesto muita gente e execro quem come algodão doce.
Eu estava com a mão no bolso de meu casaco, com a minha garganta seca, meus olhos cheios de lágrimas e o meu queixo tremia muito. O meu coração estava bem apertado, como o de um cão que morde o próprio rabo. É assim que eu me sinto.
Eu também gosto de comer algodão doce, mesmo sem conhecer o gosto de um, tem coisas que a gente sempre gosta, não importa se nunca experimentamos aquilo que gostamos. Eu me sinto bem confuso. Fico feliz olhando a roda gigante, também fico triste e muitas vezes eu sinto muita raiva de quem anda numa ou pilota uma delas. Algumas vezes, eu também odeio a mamãe, o seu namorado e os amigos deles, eu detesto muita gente e execro quem come algodão doce.
Eu estava com a mão no bolso de meu casaco, com a minha garganta seca, meus olhos cheios de lágrimas e o meu queixo tremia muito. O meu coração estava bem apertado, como o de um cão que morde o próprio rabo. É assim que eu me sinto.
Quando tudo acabou, a minha pistola estava descarregada. Eu a segurava em minhas mãos. O maquinista havia caído em minha frente e sangrava no rosto. Algumas pessoas caídas perto de mim também sangravam. Muita gente corria e gritava. Lembro de ver muitas sirenes e uma porção de policiais, usando preto, empunhando armas maiores que a minha em minha direção. Um deles falava um monte de bobagens num desses alto-falantes bonitos que só os policiais têm. A roda gigante estava parada e uma galera despencava lá de cima. Elas queriam fugir, sei lá. Eu fiquei olhando tudo aquilo, sem saber o que pensar.
O advogado público que me defendeu disse que fez tudo o que podia. Eu não sei se acredito nele. A única coisa que sei é que ainda me faltam bons anos de cadeia até sair daqui e poder olhar para uma roda gigante de novo. A minha mãe disse que não vai me aceitar de volta. Eu estou cagando para isso, até porque, dessa vez, eu não a convidarei para me levar no parque. Eu juro; dessa vez, eu a matarei, vou atirar em seu namorado e todos aqueles amigos bobos que ela tem.
O advogado público que me defendeu disse que fez tudo o que podia. Eu não sei se acredito nele. A única coisa que sei é que ainda me faltam bons anos de cadeia até sair daqui e poder olhar para uma roda gigante de novo. A minha mãe disse que não vai me aceitar de volta. Eu estou cagando para isso, até porque, dessa vez, eu não a convidarei para me levar no parque. Eu juro; dessa vez, eu a matarei, vou atirar em seu namorado e todos aqueles amigos bobos que ela tem.