Com a grana no bolso, fui até o shopping, aquele cheio de vidros na entrada, alto e enorme, com um grande estacionamento. Já de cara, percebi os seguranças me filmando cheios de bronca. Era sábado, o shopping estava cheio de branquelos.
É os brancos têm um jeito de soberba, de superioridade em relação aos negros como eu. É como se um negro nunca pudesse ser tão bom quanto um branco. Como se um negro jamais pudesse entrar num shopping apenas para gastar e se divertir.
Isso acaba com a sua boa intenção, dá uma raiva que te deixa pilhado para se vingar. Então você pensa, “Eu não vou pagar, vou roubar, e vou espancar o primeiro branquelo que encontrar.”. Naquele shopping, naquele sábado, os brancos eram clientes, e eu, eu era um bandido. Eu sentia isso desde moleque, a diferença, é que agora eu realmente era um bandido, só que um bandido cheio de grana.
Entrei numa loja lotada de panos irados. O segurança que me seguia desde a entrada do shopping juntou-se com o da loja e os dois ficaram na porta, no meu bico. Cheguei perto de uma loirinha e perguntei “Quanto custa essa?”. A branquela ficou meio sem jeito, mesmo assim me entregou a calça e me mostrou onde ficava o provador e tal. De alguma forma ela se sentia segura por causa daqueles dois armários plantados ali.
No caixa, a moça perguntou como eu queria pagar, fiz questão de dizer, em alto e bom som, “À vista.”. “Prefere cartão, ou cheque?”. “Vou pagar com grana mesmo.”. Ela me passou a sacola e disse, “Apareça quando quiser.”
Segui andando com muita calma, e quando cheguei perto da porta, os seguranças abriram caminho. Eu me senti um camaleão.
Isso acaba com a sua boa intenção, dá uma raiva que te deixa pilhado para se vingar. Então você pensa, “Eu não vou pagar, vou roubar, e vou espancar o primeiro branquelo que encontrar.”. Naquele shopping, naquele sábado, os brancos eram clientes, e eu, eu era um bandido. Eu sentia isso desde moleque, a diferença, é que agora eu realmente era um bandido, só que um bandido cheio de grana.
Entrei numa loja lotada de panos irados. O segurança que me seguia desde a entrada do shopping juntou-se com o da loja e os dois ficaram na porta, no meu bico. Cheguei perto de uma loirinha e perguntei “Quanto custa essa?”. A branquela ficou meio sem jeito, mesmo assim me entregou a calça e me mostrou onde ficava o provador e tal. De alguma forma ela se sentia segura por causa daqueles dois armários plantados ali.
No caixa, a moça perguntou como eu queria pagar, fiz questão de dizer, em alto e bom som, “À vista.”. “Prefere cartão, ou cheque?”. “Vou pagar com grana mesmo.”. Ela me passou a sacola e disse, “Apareça quando quiser.”
Segui andando com muita calma, e quando cheguei perto da porta, os seguranças abriram caminho. Eu me senti um camaleão.