Ela se fazia de ofegante, e com vaselina, facilitava o sexo. Muitas vezes abriu a perereca com os dedos para que houvesse o mínimo de penetração. Dizia que perdia a cabeça com ele, por causa dos pelos brancos que o velhote carregava no peito. A putinha interesseira; fingia-se de recatada e envergonhada, pois afirmava ter aprendido com sua mãe, que esses devaneios eróticos eram pecado. Ele tremia na base com Magali, por conta da habilidade da menina, e vivia certo de que ela tinha orgasmos múltiplos com ele. Isso lhe fazia muito bem, aumentava a sua moral de macho, chefe de família e mantinha seu ânimo.
Orlando era metido a galanteador e escondia um segredo, uma metástase crescia velozmente e tomava conta de seu pulmão. O velhote governava a família com mão de ferro, desde o tempo da falecida sua esposa, mãe de Jerônimo, e não contava nada sobre sua doença, por vaidade e porque não queria perder o controle dos bens e do dinheiro da família. A única que sabia de sua doença era a Magali, que dissimulada, dizia a ele, “Você vai viver meu amor, você é um touro, o meu touro.”.
Jerônimo, coitado, era um moço bonito e analfabeto, maltrapilho e encabulado. O povo dizia, “Ele é um pobre diabo.”. Era ele quem ordenhava as vacas. Capinava o milho. Roçava o pasto. Levantava as cercas. Podava o pomar e melava as abelhas. A sua maior ambição era beber uma pinga e fumar um palheiro no final de um dia de trabalho na roça.
O tempo foi passando e a presença de Jerônimo tornou-se complicada na casa de seu pai. O velho temia que a sua Magali se apaixonasse pelo rapaz. Essa desconfiança começou numa tarde de verão. Jerônimo chegou da roça, suado, sem camisa. Orlando viu que Magali correu para a área da casa e ficou ali, com aquele vestido decotado, olhando para seu filho caçula, que em sua santa inocência, molhava-se na mangueira enquanto lavava seu corpo forte e sujo de terra. Daí para frente; começaram as brigas, e Jerônimo foi mandado embora em menos de um ano. Magali não disse nada, e reprimia seus desejos pelo enteado porque tinha muito mais gosto pelo dinheiro do velho.
Jerônimo catou seus trapos e foi morar no pedaço de terra que herdou quando sua mãe faleceu. A área era pequena, uns dez alqueires, ocupada de mata nativa e um reflorestamento de eucaliptos. A partir daí, ele teria de viver da madeira e do carvão. Construiu sua casinha por entre as árvores, e lá passou a beber demais e comer cada vez menos. A solidão o corroia, e embora injustiçado, ainda sentia amor pelo seu pai. Tentou muitas vezes se reaproximar dele, mas o velhote ciumento e teimoso nunca permitiu.
Os anos passavam e o danado do velho conseguia manter-se vivo à custa de muito dinheiro. Magali, não gostava disso, queria mais é que o velhote morresse logo, antes que lapidasse todo o seu patrimônio com o tratamento. Com habilidade, ela convenceu Orlando de que ele não estava doente, que tudo aquilo que os médicos lhe falavam era mentira, com o intuito de arrancar mais dinheiro dele. “Você não tem nada, meu tourão.”. No início, ele discordou de Magali, mas a danada era sabida, e pediu a razão para si, argumentando que um homem entregue ao câncer, como diziam os médicos, não viveria tanto tempo, e não faria sexo como ele.
Orlando era metido a galanteador e escondia um segredo, uma metástase crescia velozmente e tomava conta de seu pulmão. O velhote governava a família com mão de ferro, desde o tempo da falecida sua esposa, mãe de Jerônimo, e não contava nada sobre sua doença, por vaidade e porque não queria perder o controle dos bens e do dinheiro da família. A única que sabia de sua doença era a Magali, que dissimulada, dizia a ele, “Você vai viver meu amor, você é um touro, o meu touro.”.
Jerônimo, coitado, era um moço bonito e analfabeto, maltrapilho e encabulado. O povo dizia, “Ele é um pobre diabo.”. Era ele quem ordenhava as vacas. Capinava o milho. Roçava o pasto. Levantava as cercas. Podava o pomar e melava as abelhas. A sua maior ambição era beber uma pinga e fumar um palheiro no final de um dia de trabalho na roça.
O tempo foi passando e a presença de Jerônimo tornou-se complicada na casa de seu pai. O velho temia que a sua Magali se apaixonasse pelo rapaz. Essa desconfiança começou numa tarde de verão. Jerônimo chegou da roça, suado, sem camisa. Orlando viu que Magali correu para a área da casa e ficou ali, com aquele vestido decotado, olhando para seu filho caçula, que em sua santa inocência, molhava-se na mangueira enquanto lavava seu corpo forte e sujo de terra. Daí para frente; começaram as brigas, e Jerônimo foi mandado embora em menos de um ano. Magali não disse nada, e reprimia seus desejos pelo enteado porque tinha muito mais gosto pelo dinheiro do velho.
Jerônimo catou seus trapos e foi morar no pedaço de terra que herdou quando sua mãe faleceu. A área era pequena, uns dez alqueires, ocupada de mata nativa e um reflorestamento de eucaliptos. A partir daí, ele teria de viver da madeira e do carvão. Construiu sua casinha por entre as árvores, e lá passou a beber demais e comer cada vez menos. A solidão o corroia, e embora injustiçado, ainda sentia amor pelo seu pai. Tentou muitas vezes se reaproximar dele, mas o velhote ciumento e teimoso nunca permitiu.
Os anos passavam e o danado do velho conseguia manter-se vivo à custa de muito dinheiro. Magali, não gostava disso, queria mais é que o velhote morresse logo, antes que lapidasse todo o seu patrimônio com o tratamento. Com habilidade, ela convenceu Orlando de que ele não estava doente, que tudo aquilo que os médicos lhe falavam era mentira, com o intuito de arrancar mais dinheiro dele. “Você não tem nada, meu tourão.”. No início, ele discordou de Magali, mas a danada era sabida, e pediu a razão para si, argumentando que um homem entregue ao câncer, como diziam os médicos, não viveria tanto tempo, e não faria sexo como ele.
A família entrou em embate, os filhos queriam que o pai se tratasse, com medo de perdê-lo, e o alertaram quanto às intenções de sua nova esposa. Mas o velho Orlando cortou relação com eles, “Vocês não gostam dela por que não aceitam nosso casamento.”, e deixou um testamento, onde passava para Magali, tudo o que lhe restava. Foi quando seus filhos, ofendidos, lhe viraram as costas. A teimosia era herança de família, “Essa gente não é fácil.”, dizia o povo. A discórdia foi fatal. Uma situação delicada e lamentável.
Não demorou muito e o velho Orlando se foi. No seu velório, não apareceu ninguém da família, e Magali, ali, ao lado do caixão, fazia uma peça digna do Teatro Municipal Carlos Camilo. Jerônimo queria muito se despedir do pai, mas Magali foi implacável e o impediu de entrar em casa, chamou a polícia e o acusou de ser um dos responsáveis pela morte de Orlando. Ela disse ao delegado, “Doutor, o Jerônimo vivia perturbando o pai dele; Os dois não se falavam tinha um bom tempo; Meu marido morreu de desgosto; Esse aí também é culpado por essa desgraça.”. Foi um fim de tarde muito triste.
Antes que o cadáver do velhote esfriasse, Magali vendeu o que sobrou das posses de Orlando e ninguém mais teve notícias dela, nem da família lograda. A perda foi tão forte, que Jerônimo, agora, anda por aí, sozinho, abandonado, louco, variando, bebendo e correndo por entre os matos e as estradas. Ele grita, “Vou matar, vou matar essa desgraçada.”. Ele afirma veementemente, que a madrasta mandou dois caboclos matá-lo, “Esses dois não descansam, passam dia e noite rondando minha casa.”. A última vez que o viram, Jerônimo sentava numa encruzilhada, armado com seu machado de lenhador, à espera de Magali.
Não demorou muito e o velho Orlando se foi. No seu velório, não apareceu ninguém da família, e Magali, ali, ao lado do caixão, fazia uma peça digna do Teatro Municipal Carlos Camilo. Jerônimo queria muito se despedir do pai, mas Magali foi implacável e o impediu de entrar em casa, chamou a polícia e o acusou de ser um dos responsáveis pela morte de Orlando. Ela disse ao delegado, “Doutor, o Jerônimo vivia perturbando o pai dele; Os dois não se falavam tinha um bom tempo; Meu marido morreu de desgosto; Esse aí também é culpado por essa desgraça.”. Foi um fim de tarde muito triste.
Antes que o cadáver do velhote esfriasse, Magali vendeu o que sobrou das posses de Orlando e ninguém mais teve notícias dela, nem da família lograda. A perda foi tão forte, que Jerônimo, agora, anda por aí, sozinho, abandonado, louco, variando, bebendo e correndo por entre os matos e as estradas. Ele grita, “Vou matar, vou matar essa desgraçada.”. Ele afirma veementemente, que a madrasta mandou dois caboclos matá-lo, “Esses dois não descansam, passam dia e noite rondando minha casa.”. A última vez que o viram, Jerônimo sentava numa encruzilhada, armado com seu machado de lenhador, à espera de Magali.