Eduardo via Camila no elevador, ao final do dia, sempre no mesmo horário. Ele fazia de tudo para não perder aquele encontro, era o momento mais esperado do seu dia. No começo, queria apenas admirá-la, sentir seu perfume e dividir a viagem com aquela formosura de menina. Mas com o tempo, as coisas mudaram, ele não conseguia parar de pensar na meiga e doce Camila. Eduardo desenvolvia uma verdadeira adoração por ela. Sonhava com aqueles cabelos loiros, longos e ondeados caindo sobre seu peito enquanto os dois transavam. Embora, sonho, o jovem acordava exausto, e por muitas vezes todo melado. “Eu a amo.”, pensava o rapaz, caidinho pela garota.
Tímido, passava horas e horas tentando encontrar uma maneira de chamar a atenção de Camila. A conversa entre eles nunca passava de um, “Oi!”, “Como vai amigo?”, no entanto, o sorriso e a graça de Camila soavam para Eduardo com uma força muito maior do que aquela contida nas palavras, para ele, aquele jeitinho era suficiente para deixá-lo flutuando ao redor da esperança.
Ela morava no 302, ele no 402. Essa proximidade era uma tentação para Eduardo, que por muitas e muitas vezes, pensou em descer e inventar uma desculpa, coisa do tipo, “Olá, estou precisando de uma xícara de açúcar.”, tudo para desfrutar de mais um fiapo de tempo com ela. No entanto, quando chegava até a porta do 302, sentia suas pernas bambas, seu coração disparava, suas mãos suavam frias e ele desistia. Eduardo voltava para casa e passava horas se lamentando pela sua falta de coragem, até que pegava no sono e acordava suado, doido, maluco por causa daqueles sonhos tão reais e ao mesmo tempo tão impossíveis.
Um dia, no elevador, Camila segurava um grande volume de livros, Eduardo percebeu que aquela era a sua chance, e gentil, ofereceu-se para ajudar. Ela aceitou de pronto, achou a atitude tão cavalheira que passou a esticar suas conversas com o moço tão prestativo. Afinal de contas, para Camila, Eduardo criou uma imagem de bom garoto. Também, hoje em dia, com a pressa que a molecada tem, um gesto faz milagres.
Inocente e romântica, Camila passou a ver em Eduardo um futuro. Sempre bem alinhado, vestia terno, gravata, colete, usava sapatos lustros, cabelo bem cortado e barba feita. Sem falar naquela pasta preta que o acompanhava todos os dias. Para ela, o jovem era mais que distinto, e tornou-se o protótipo de um possível marido perfeito.
Pelo telefone, contou do rapaz para a mãe que morava no interior. Dona Ana, achou uma ótima notícia, e deu força para a filha, “Meu bem, não seja boba como sua mãe, eu casei com seu pai, que Deus o tenha, sem jamais chegar perto de outro homem. Posso garantir que não foi uma boa escolha, aproveita.”. Camila corou o rosto do outro lado da linha.
Logo que desligou o telefone, sentiu-se sem graça, careta, e sentou-se no sofá. Olhava-se no espelho e puxava suas pernas para fora e se analisava como uma fantasiosa caçadora de modelos. Camila não fumava maconha com os colegas da faculdade, não bebia, não usava essas roupas modernas e esquisitas, mas também não precisava ser uma freira. “Ora bolas, e por que não?”, repetia ela para si mesma, enquanto pensava na possibilidade.
No dia seguinte, na mesma hora de sempre, encontrou-se com Eduardo, mais uma vez no elevador. Depois do trololó de sempre, Camila engoliu a vergonha e disse, “Que tal a gente pegar um cinema?”, e ficou ali, com aquela carinha que Deus lhe deu, na espera da resposta. Eduardo sentiu um galope no peito, ele não esperava, meio sem jeito, deixou sair um, “Eu aceito sim.”.
Depois veio um sorvete, um passeio no museu, e um dia, o abate. Ela era inexperiente, só foi para a alcova uma vez, ainda quando morava no interior, e sinceramente, nem contava. Foi tudo um desastre. Mas com Eduardo, ela gostou, ele foi gentil, comprou vinho, fez o jantar, e na hora; manteve a pose de bom partido. O namoro foi uma conseqüência natural, Camila apaixonou-se. Contava para as amigas, “Esse gurias, esse é pra casar, eu garanto.”.
Aos poucos, Eduardo mostrava-se bem diferente do que aparentava, não parava em emprego algum, bebia demais todos os dias, mentia, manipulava e mostrava-se um tanto quanto violento. A vida tornou-se um inferno. Ela não podia ir a lugar algum sem ele. Eduardo a levava e a buscava na faculdade, e a proibia de conversar com colegas do sexo masculino. Para ele, as amigas de Camila eram todas putas, elas davam em cima dele, e Camila, boba, nem percebia.
Ela via um certo excesso por parte do namorado, e mesmo assim, fazia o maior esforço para contornar essas situações. Ele sempre dizia, “Eu não sei viver sem você.”, “E se um dia a gente terminar e eu pegar você com outro, eu mato o filho da puta.”. Camila pensava, “Ai, que fofo, ele tem ciúmes de mim, ele me ama mesmo.”.
Aos trancos e barrancos, o relacionamento de Eduardo e Camila se fortificava na violência, entre bofetadas e pedidos de desculpas. Os dois acabaram decidindo que o casamento ajeitaria as coisas entre eles. A mãe de Camila, nem desconfiava e deu seu aval ainda por telefone, no entanto, fez uma exigência, “Quero conhecer esse rapaz maravilhoso.”, e justificou que sua curiosidade não passava de cuidado de mãe, e nem de longe sugeria qualquer desaprovação.
Uma semana antes do encontro entre genro e sogra, Camila passeava com Eduardo pelo parque. Ele bebia cerveja e ela de mãos vazias, pendurava-se no braço dele, numa atitude cheia de perseverança. Foi quando a menina encantou-se com os desenhos de um garoto que vendia suas telas. Ela disse, “Olha, que lindo!”. A reação de Eduardo foi imediata, “Vagabunda oferecida.”, e a arrastou para o banheiro público do parque. Lá, eles discutiram, ele a segurou pela garganta e a sufocou com toda a sua raiva. Depois, sumiu no mundo.
A pobre Dona Ana, perdeu a vontade de viver, passou a beber; consumir bolas, e desleixou-se de tudo. Ela culpava-se pela morte da filha. Na cabeça dela, ela poderia ter evitado aquela tragédia, via-se como uma mãe moderna que se tornou negligente. Coitada. Um ano depois, ao entardecer, enforcou-se na cruz em frente ao túmulo da filha. A miserável foi-se numa tardinha inocente, romântica.
Tímido, passava horas e horas tentando encontrar uma maneira de chamar a atenção de Camila. A conversa entre eles nunca passava de um, “Oi!”, “Como vai amigo?”, no entanto, o sorriso e a graça de Camila soavam para Eduardo com uma força muito maior do que aquela contida nas palavras, para ele, aquele jeitinho era suficiente para deixá-lo flutuando ao redor da esperança.
Ela morava no 302, ele no 402. Essa proximidade era uma tentação para Eduardo, que por muitas e muitas vezes, pensou em descer e inventar uma desculpa, coisa do tipo, “Olá, estou precisando de uma xícara de açúcar.”, tudo para desfrutar de mais um fiapo de tempo com ela. No entanto, quando chegava até a porta do 302, sentia suas pernas bambas, seu coração disparava, suas mãos suavam frias e ele desistia. Eduardo voltava para casa e passava horas se lamentando pela sua falta de coragem, até que pegava no sono e acordava suado, doido, maluco por causa daqueles sonhos tão reais e ao mesmo tempo tão impossíveis.
Um dia, no elevador, Camila segurava um grande volume de livros, Eduardo percebeu que aquela era a sua chance, e gentil, ofereceu-se para ajudar. Ela aceitou de pronto, achou a atitude tão cavalheira que passou a esticar suas conversas com o moço tão prestativo. Afinal de contas, para Camila, Eduardo criou uma imagem de bom garoto. Também, hoje em dia, com a pressa que a molecada tem, um gesto faz milagres.
Inocente e romântica, Camila passou a ver em Eduardo um futuro. Sempre bem alinhado, vestia terno, gravata, colete, usava sapatos lustros, cabelo bem cortado e barba feita. Sem falar naquela pasta preta que o acompanhava todos os dias. Para ela, o jovem era mais que distinto, e tornou-se o protótipo de um possível marido perfeito.
Pelo telefone, contou do rapaz para a mãe que morava no interior. Dona Ana, achou uma ótima notícia, e deu força para a filha, “Meu bem, não seja boba como sua mãe, eu casei com seu pai, que Deus o tenha, sem jamais chegar perto de outro homem. Posso garantir que não foi uma boa escolha, aproveita.”. Camila corou o rosto do outro lado da linha.
Logo que desligou o telefone, sentiu-se sem graça, careta, e sentou-se no sofá. Olhava-se no espelho e puxava suas pernas para fora e se analisava como uma fantasiosa caçadora de modelos. Camila não fumava maconha com os colegas da faculdade, não bebia, não usava essas roupas modernas e esquisitas, mas também não precisava ser uma freira. “Ora bolas, e por que não?”, repetia ela para si mesma, enquanto pensava na possibilidade.
No dia seguinte, na mesma hora de sempre, encontrou-se com Eduardo, mais uma vez no elevador. Depois do trololó de sempre, Camila engoliu a vergonha e disse, “Que tal a gente pegar um cinema?”, e ficou ali, com aquela carinha que Deus lhe deu, na espera da resposta. Eduardo sentiu um galope no peito, ele não esperava, meio sem jeito, deixou sair um, “Eu aceito sim.”.
Depois veio um sorvete, um passeio no museu, e um dia, o abate. Ela era inexperiente, só foi para a alcova uma vez, ainda quando morava no interior, e sinceramente, nem contava. Foi tudo um desastre. Mas com Eduardo, ela gostou, ele foi gentil, comprou vinho, fez o jantar, e na hora; manteve a pose de bom partido. O namoro foi uma conseqüência natural, Camila apaixonou-se. Contava para as amigas, “Esse gurias, esse é pra casar, eu garanto.”.
Aos poucos, Eduardo mostrava-se bem diferente do que aparentava, não parava em emprego algum, bebia demais todos os dias, mentia, manipulava e mostrava-se um tanto quanto violento. A vida tornou-se um inferno. Ela não podia ir a lugar algum sem ele. Eduardo a levava e a buscava na faculdade, e a proibia de conversar com colegas do sexo masculino. Para ele, as amigas de Camila eram todas putas, elas davam em cima dele, e Camila, boba, nem percebia.
Ela via um certo excesso por parte do namorado, e mesmo assim, fazia o maior esforço para contornar essas situações. Ele sempre dizia, “Eu não sei viver sem você.”, “E se um dia a gente terminar e eu pegar você com outro, eu mato o filho da puta.”. Camila pensava, “Ai, que fofo, ele tem ciúmes de mim, ele me ama mesmo.”.
Aos trancos e barrancos, o relacionamento de Eduardo e Camila se fortificava na violência, entre bofetadas e pedidos de desculpas. Os dois acabaram decidindo que o casamento ajeitaria as coisas entre eles. A mãe de Camila, nem desconfiava e deu seu aval ainda por telefone, no entanto, fez uma exigência, “Quero conhecer esse rapaz maravilhoso.”, e justificou que sua curiosidade não passava de cuidado de mãe, e nem de longe sugeria qualquer desaprovação.
Uma semana antes do encontro entre genro e sogra, Camila passeava com Eduardo pelo parque. Ele bebia cerveja e ela de mãos vazias, pendurava-se no braço dele, numa atitude cheia de perseverança. Foi quando a menina encantou-se com os desenhos de um garoto que vendia suas telas. Ela disse, “Olha, que lindo!”. A reação de Eduardo foi imediata, “Vagabunda oferecida.”, e a arrastou para o banheiro público do parque. Lá, eles discutiram, ele a segurou pela garganta e a sufocou com toda a sua raiva. Depois, sumiu no mundo.
A pobre Dona Ana, perdeu a vontade de viver, passou a beber; consumir bolas, e desleixou-se de tudo. Ela culpava-se pela morte da filha. Na cabeça dela, ela poderia ter evitado aquela tragédia, via-se como uma mãe moderna que se tornou negligente. Coitada. Um ano depois, ao entardecer, enforcou-se na cruz em frente ao túmulo da filha. A miserável foi-se numa tardinha inocente, romântica.