Eu não sabia que ele tinha uma namorada. Como mãe, eu me preocupava com ele. Sei lá, pensava que ele podia se envolver com drogas, querendo impressionar uma rameirazinha qualquer. Que fizesse sexo sem camisinha, engravidasse uma aproveitadora e prejudicasse o futuro brilhante que eu sonhei para ele. E mais, temia que ele fosse infectado por uma DST das brabas. Que parasse de ouvir rock, jazz e se tornasse um cara babaca, desses que só liga para a namorada e se esquece de si mesmo. Entende? Bem, talvez algumas mães compreendam isso.
Era um segredo dele. Por algum motivo, ele nunca comentou nada comigo. Mas eu sempre o conheci muito bem, e já fazia algum tempo que eu havia notado o quanto ele tinha mudado. Os sinais eram evidentes; o meu pequeno Michel estava apaixonado. Pior: na cabeça dele, ele havia encontrado o amor de sua vida. Ele era jovem demais para encontrar o amor da sua vida. Mas tem coisas que a gente só aprende com o tempo. Uma mãe tem o dever de proteger o seu filho, ao menos enquanto ele ainda não está maduro o suficiente para escolher o que é melhor pra ele.
Eu fumava na sala. Havia locado um filme bem bacana para ver com ele, aquela noite. “Inocência Roubada”, já viu? Eu esperava ele sair do banho. Achei estranha sua demora, o Michel era tão limpinho que não levava mais que dez minutos no banho. Preocupada, resolvi checar se estava tudo certo com o meu menininho. Subi as escadas com todo o cuidado. Nunca fui enxerida e não queria que ele percebesse que eu tomava conta dele. Fui pé por pé. Quando cheguei até a porta de seu quarto e o vi naquela conversa melosa pelo celular, eu fiquei sem fala. Ele dizia, “Eu quero casar com você”. Confesso que tremi na base. Fiquei louca, desesperada, chocada.
Ele chegou até a sala e não deu a mínima para mim. Tenho certeza de que ele havia percebido o filme sobre a mesa. Ele sempre foi muito sensível, compreende? E depois, ele nunca foi de sair assim, no final de semana. Ele era desses meninos inteligentes que preferia ler um bom livro, assistir um filme comigo e mais tarde pintar as minhas unhas antes de dormirmos juntinhos. Sim, ele sempre pintou as minhas unhas. Ele adorava cuidar de mim. Ele fez uma promessa para o pai em seu leito de morte, “Eu nunca a abandonarei, papai”. Foi o que ele jurou ao falecido.
Fiquei com tanto medo, delegado, que na hora eu não sabia o que fazer. E eu não sou muito boa em tomar decisões assim, de uma hora para outra. Então eu segui o meu coração de mãe. Catei a tesoura junto da minha máquina de costura e voei em cima dele. Antes de ser atingido ele me disse, “Até logo, mamãe; eu não vou me demorar”. Eu o acertei pelas costas e no pescoço. Eu garanto, ele não sofreu para morrer. Fiquei com ele até o fim. Eu me preocupei, inclusive, em não deixar o sangue sujar o seu rosto lindo. Agora me diga delegado, eu mereço ir para a cadeia? O senhor sabe tanto quanto eu, que o meu Michel está salvo.
Era um segredo dele. Por algum motivo, ele nunca comentou nada comigo. Mas eu sempre o conheci muito bem, e já fazia algum tempo que eu havia notado o quanto ele tinha mudado. Os sinais eram evidentes; o meu pequeno Michel estava apaixonado. Pior: na cabeça dele, ele havia encontrado o amor de sua vida. Ele era jovem demais para encontrar o amor da sua vida. Mas tem coisas que a gente só aprende com o tempo. Uma mãe tem o dever de proteger o seu filho, ao menos enquanto ele ainda não está maduro o suficiente para escolher o que é melhor pra ele.
Eu fumava na sala. Havia locado um filme bem bacana para ver com ele, aquela noite. “Inocência Roubada”, já viu? Eu esperava ele sair do banho. Achei estranha sua demora, o Michel era tão limpinho que não levava mais que dez minutos no banho. Preocupada, resolvi checar se estava tudo certo com o meu menininho. Subi as escadas com todo o cuidado. Nunca fui enxerida e não queria que ele percebesse que eu tomava conta dele. Fui pé por pé. Quando cheguei até a porta de seu quarto e o vi naquela conversa melosa pelo celular, eu fiquei sem fala. Ele dizia, “Eu quero casar com você”. Confesso que tremi na base. Fiquei louca, desesperada, chocada.
Ele chegou até a sala e não deu a mínima para mim. Tenho certeza de que ele havia percebido o filme sobre a mesa. Ele sempre foi muito sensível, compreende? E depois, ele nunca foi de sair assim, no final de semana. Ele era desses meninos inteligentes que preferia ler um bom livro, assistir um filme comigo e mais tarde pintar as minhas unhas antes de dormirmos juntinhos. Sim, ele sempre pintou as minhas unhas. Ele adorava cuidar de mim. Ele fez uma promessa para o pai em seu leito de morte, “Eu nunca a abandonarei, papai”. Foi o que ele jurou ao falecido.
Fiquei com tanto medo, delegado, que na hora eu não sabia o que fazer. E eu não sou muito boa em tomar decisões assim, de uma hora para outra. Então eu segui o meu coração de mãe. Catei a tesoura junto da minha máquina de costura e voei em cima dele. Antes de ser atingido ele me disse, “Até logo, mamãe; eu não vou me demorar”. Eu o acertei pelas costas e no pescoço. Eu garanto, ele não sofreu para morrer. Fiquei com ele até o fim. Eu me preocupei, inclusive, em não deixar o sangue sujar o seu rosto lindo. Agora me diga delegado, eu mereço ir para a cadeia? O senhor sabe tanto quanto eu, que o meu Michel está salvo.