Sei lá, é difícil explicar algo que você sente. Tudo que floresce em nosso âmago é genuíno, isso me parece maior que a justificativa. É como esconder meus modos grosseiros, por mais que eu tente, não encontro uma forma de evitar a minha animalidade.
Normalmente, sinto o céu de minha boca amortecer, meus dentes parecem latejar, é descomunal. Até que agüentei bastante tempo. Oito anos é tempo, ao menos para mim. Foi tudo por causa da Fan, aquela idiota. Pessoas populares são burras integralmente.
Aquela tarde de outono foi decisiva em minha vida. Tudo começou no intervalo. Eu comia um sonho recheado de creme. Usava uma camiseta preta, lisa, calça jeans e uma camisa xadrez com mangas longas, aberta, como casaco. Por algum motivo, ela disse, “Cara, você é feio, estranho, fede e não entende nada de moda.”, foi duro lidar com aquelas palavras.
Achava que um pedaço de sonho com creme era a melhor coisa que eu tinha para oferecer a ela. Não compreendo até hoje por que ela me tratou daquela forma. Eu sabia que ela colocava a boca no pau do Mon todas as tardes. Achei que um pedaço do sonho de creme fosse romântico. Não foi.
Quando bateu o sinal todos me amolavam, entre risos e piadas eles repetiam as palavras dela. Aquilo magoou meu coração e arrancou dele o último fiapo de bondade que eu ainda carregava. Sempre li nos livros de romance que a gente deve dar o que tem de melhor para quem a gente mais ama. A Fan não merecia aquela ternura tão limpa que eu sentia.
A semana corria dura, recheada de piadinhas maldosas contra mim, mas eu sabia que o acampamento do final de semana era uma boa oportunidade para consertar as coisas. Acho que é por isso que a maioria das pessoas vai para o campo quando precisa restabelecer a paz interior. Eu conhecia bem aquela região, eu e meus pais íamos muito para lá, meu velho gostava de pescar naqueles lagos, a minha mãe se achava livre porque nadava nua. Eu achava natural.
Lembro da professora que gritava o tempo todo, pedia ordem insistentemente. Ela estava assessorada por mais duas monitoras que tinham a missão de fiscalizar a gente. Eram tantas recomendações que seguir um terço delas impediria qualquer diversão, e a proposta da viagem era diversão, segundo o discurso feito em sala de aula.
Vi quando a Fan tomou o rumo dos lagos. O Mon foi logo atrás. Eu segui os dois. Claro que isso era contra as regras estipuladas pela escola. A trilha era bonita e para chegar até aos lagos, você tinha de passar pelo desfiladeiro. Era bem alto, íngreme. Meu plano era flagrar os dois e obrigar a Fan a fazer em mim também.
Fiquei no final da trilha do desfiladeiro, na base do rochedo, atrás de uma pedra enorme. A minha mãe deitava em cima dela, enquanto exibia seus peitos grandes e o meu pai gemia engalfinhado nela. Acendi um cigarro e fiquei olhando para a Fan e o Mon assim como fazia com os meus pais. Fumar era contra as recomendações, claro.
O pau do Mon era bem menor que o meu, mas a Fan não parecia se importar com o tamanho dele. Talvez por que conseguia abocanhá-lo por inteiro e não perdia nenhuma gota. Apareci quando ele subia as calças e ela arrumava o cabelo encaracolado e limpava seus lábios. Os dois arregalaram os olhos. “Se não me chupar vou contar pra todo mundo.”, ela ficou furiosa, e o Mon partiu para cima de mim. Atirei na altura do peito. Usei a arma de meu pai. Uma automática. A Fan investiu na minha direção e eu disparei contra a sua cabeça.
Eu senti uma quentura em minha alma. Naquele momento eu entendi melhor aquela coisa de ir para o campo, relaxar. A vingança encheu o meu coração com uma sensação de aconchego. Acendi outro cigarro e saí andando, eu me sentia bem, e era genuíno.
Normalmente, sinto o céu de minha boca amortecer, meus dentes parecem latejar, é descomunal. Até que agüentei bastante tempo. Oito anos é tempo, ao menos para mim. Foi tudo por causa da Fan, aquela idiota. Pessoas populares são burras integralmente.
Aquela tarde de outono foi decisiva em minha vida. Tudo começou no intervalo. Eu comia um sonho recheado de creme. Usava uma camiseta preta, lisa, calça jeans e uma camisa xadrez com mangas longas, aberta, como casaco. Por algum motivo, ela disse, “Cara, você é feio, estranho, fede e não entende nada de moda.”, foi duro lidar com aquelas palavras.
Achava que um pedaço de sonho com creme era a melhor coisa que eu tinha para oferecer a ela. Não compreendo até hoje por que ela me tratou daquela forma. Eu sabia que ela colocava a boca no pau do Mon todas as tardes. Achei que um pedaço do sonho de creme fosse romântico. Não foi.
Quando bateu o sinal todos me amolavam, entre risos e piadas eles repetiam as palavras dela. Aquilo magoou meu coração e arrancou dele o último fiapo de bondade que eu ainda carregava. Sempre li nos livros de romance que a gente deve dar o que tem de melhor para quem a gente mais ama. A Fan não merecia aquela ternura tão limpa que eu sentia.
A semana corria dura, recheada de piadinhas maldosas contra mim, mas eu sabia que o acampamento do final de semana era uma boa oportunidade para consertar as coisas. Acho que é por isso que a maioria das pessoas vai para o campo quando precisa restabelecer a paz interior. Eu conhecia bem aquela região, eu e meus pais íamos muito para lá, meu velho gostava de pescar naqueles lagos, a minha mãe se achava livre porque nadava nua. Eu achava natural.
Lembro da professora que gritava o tempo todo, pedia ordem insistentemente. Ela estava assessorada por mais duas monitoras que tinham a missão de fiscalizar a gente. Eram tantas recomendações que seguir um terço delas impediria qualquer diversão, e a proposta da viagem era diversão, segundo o discurso feito em sala de aula.
Vi quando a Fan tomou o rumo dos lagos. O Mon foi logo atrás. Eu segui os dois. Claro que isso era contra as regras estipuladas pela escola. A trilha era bonita e para chegar até aos lagos, você tinha de passar pelo desfiladeiro. Era bem alto, íngreme. Meu plano era flagrar os dois e obrigar a Fan a fazer em mim também.
Fiquei no final da trilha do desfiladeiro, na base do rochedo, atrás de uma pedra enorme. A minha mãe deitava em cima dela, enquanto exibia seus peitos grandes e o meu pai gemia engalfinhado nela. Acendi um cigarro e fiquei olhando para a Fan e o Mon assim como fazia com os meus pais. Fumar era contra as recomendações, claro.
O pau do Mon era bem menor que o meu, mas a Fan não parecia se importar com o tamanho dele. Talvez por que conseguia abocanhá-lo por inteiro e não perdia nenhuma gota. Apareci quando ele subia as calças e ela arrumava o cabelo encaracolado e limpava seus lábios. Os dois arregalaram os olhos. “Se não me chupar vou contar pra todo mundo.”, ela ficou furiosa, e o Mon partiu para cima de mim. Atirei na altura do peito. Usei a arma de meu pai. Uma automática. A Fan investiu na minha direção e eu disparei contra a sua cabeça.
Eu senti uma quentura em minha alma. Naquele momento eu entendi melhor aquela coisa de ir para o campo, relaxar. A vingança encheu o meu coração com uma sensação de aconchego. Acendi outro cigarro e saí andando, eu me sentia bem, e era genuíno.